domingo, 17 de outubro de 2021

A vida é feita de escolhas


 

“Morreu de repente”. Sussurravam no velório. Na certidão de óbito estava escrito: “infarto agudo do miocárdio”. Dez anos mais tarde, ao refletir sobre a vida do pai, a filha falou: “morreu foi de tristeza, de solidão”. O coração não aguentou muito tempo, pois não tinha um sentido para viver que gerasse energia e ânimo.

Iniciou a faculdade de música na Universidade Estadual do Ceará, mas teve que abandonar devido às obrigações de pai e empregado. Trabalhou sempre dois expedientes em uma repartição pública no centro da cidade e fazia o trajeto de casa para o trabalho de ônibus.

Em casa, gostava de cuidar das plantas, regava e assobiava cantando para elas. Cozinhava muito bem e aparentemente, não dava sinais de tristeza, pelo contrário, era uma pessoa alegre com um humor incrível. Mas, sua filha o ouvia falar de vez em quando a seguinte frase: “ah, não era essa vida que eu pedi a Deus”. Parecia uma prece, uma súplica.

Casou-se com 35 anos, teve dois filhos, trabalhava para ganhar dinheiro, gostava de comprar futilidades e em casa sua maior companhia era a televisão. Vaidoso como era, comprava roupas, perfumes, sapatos, talvez para preencher um vazio existencial.

Na fase adulta, enterrou o pai, a mãe, alguns irmãos e seu melhor amigo. Antes de morrer, na agonia, suspirou profundamente e proferiu suas últimas palavras: “meu Deus, meu Deus”.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Exílio de amor



Tem um mês.
A doação tem sido intensa. 
Desafiante. 
Quase sobrenatural. 
Sacrifícios, desgaste emocional e físico.
Palavras recorrentes.
Noites mal dormidas, cansaços. 
O seio ferido. 
A comida fria.
Paciência, vai passar.  
Se outras mães conseguiram, também eu conseguirei.
Sim, é amor materno, que vem de Deus.
Só ele nos ama assim.
Como uma mãe.
E a Mãe de Jesus? 
É inimaginável a dor que passou ao ver seu filho na cruz.
Mas passou.
 Veio a vitória, a salvação.
A experiência forma, educa e lapida a alma. 
É tempo de exílio. 
De amadurecimento, de resguardo e solidão.
Por amor. 
Por vocação.




sábado, 18 de agosto de 2018

Prends moi

Oui, Seigneur, tu est la source de ma joie,
Mon bonheur c’est toi, est mon tout!
Oui, Seigneur, tu est mon trésor plus précieux
C’est pour ça que viens ici, Jésus!

Prends moi Seigneur, ouvre mon couer, pour toi
Prends moi Seigneur, j'ai entendu ta voix
Et donne-moi ton esprit, donne-moi ton esprit
Sur moi, ton esprit.

Oui, Seigneur, tu est le sens de ma vie,
Mon espérance et ma foi, c’est en toi !
Oui Seigneur, tu est mon sauver et liberté
c'est pour ça que je dis oui, Jésus!

Prends moi Seigneur, ouvre mon couer, pour toi
Prends moi, Seigneur, j'ai entendu ta voix
Et donne-moi ton esprit, donne-moi ton esprit
Sur moi, ton esprit.

Appel de Dieu




Et je chante dans ma joie
Et mon chant c'est pour toi
Comme ne repondre pas a ton appele?
Tu me ai choisis, me voici



terça-feira, 7 de agosto de 2018

A experiência da fraternidade



Falar de fraternidade é falar de comunhão, de unidade de pensamentos e valores. Repito, unidade, e não igualdade de pensamentos e valores. Não basta estar junto, é preciso conhecer o outro, no íntimo, com seus pecados, fraquezas e também com suas virtudes e qualidades. Quem ama, é capaz de tocar as feridas do outro, potencializando-o para o amor sincero e desinteressado.
Nesse sentido, tomamos por base de que a experiência com o amor de Deus nos impele a tomarmos a iniciativa e de que vivemos em um eterno êxodo, onde o “sair de si”, o ir ao encontro do outro, deve nos mover constantemente como fonte de alegria e ressurreição. Mas, é preciso enfatizar também que naturalmente não conseguimos tal efeito. Por causa de nossas inclinações, somos submetidos a bloqueios, antipatias, tendências para olhar o negativo e o que ainda falta para a obra ser completada. Desse modo, devemos pedir constantemente a graça e a abertura ao Espírito Santo que é a nossa “força do alto”, para entrarmos na esfera dos planos de Deus.
Somos convidados dia a dia a subirmos ao monte do nosso coração onde habita o Amor por excelência, e, a partir dessa experiência transformadora nos lançarmos para o encontro do coração do outro, tendo sempre a consciência de que entre o “ser real” e o “ser ideal” existe um longo caminho a ser trilhado. Mas, temos a certeza de que o que é impossível a nós, se torna possível pela graça de Deus que nos envolve e nos dá ânimo para superarmos as barreiras e limitações.
Viktor Frankl, fundador da Logoterapia vem nos dizer que “ a auto-realização só é possível como um efeito colateral da auto-transcendência.” Por isso, a experiência da fraternidade é a forma mais humana de se chegar a Deus, pela vivência da doação mútua e da comunhão fraterna.
Que Deus nos dê força e coragem!!

Em teu colo


Me encontro contigo
Em teus átrios quero estar
Em teu peito, ficar
Me encontro contigo
Tua mão a me tocar
Teu sorriso, me darás
Vem derramar o teu Espírito em mim
Vem acalmar as minhas dores, ó Jesus!
Tua amizade / me sustentará
Em teu colo quero estar
Teu abraço / me afagará
Vem derramar o teu Espírito em mim
Vem acalmar as minhas dores, Ó Jesus!
Tu / não me decepcionará
Tua força a me amparar
Tua graça / me bastará
Vem derramar o teu Espírito em mim
Vem acalmar as minhas dores, ó Jesus!
E me faz te consolar
E me faz te adorar sempre assim
O meu sofrer é teu e o meu viver é para ti! (x 2)

Letra e melodia: Waleska Bezerra


terça-feira, 7 de novembro de 2017


Dilata meu coração
Uno-me a Ti por um apelo teu
Quero te encontrar nos irmãos
Buscar o que perdi e descobrir-Te, recomeçar
Oh! Sendo fraca, me confundirão os fortes
Nesta batalha, Tu vencestes!
Eis-me aqui!
Sou tua novamente!


domingo, 7 de agosto de 2016

A sacralidade do cotidiano

       
        Sempre gostou das coisas simples. Quando adolescente queria se casar com um homem bom, não precisava ser rico ou muito bonito, mas ter bom homor, ser trabalhador e fiel. Talvez, por isso, nunca almejou a opulência e tinha uma considerável admiração pela modéstia. Seu estilo de vida afirmava que a simplicidade era a mestra da felicidade.
O cheiro do café que vinha da cafeteira lhe motivou a trocar os pires e as xícaras habituais por outras menos usadas. Mudou também o local de pôr os pães e os colocou em uma bandeja florida. Preencheu o açucareiro. Viu que o pote de margarina estava quase no fim e pegou outro na geladeira. 
        O ritual cotidiano aos poucos foi tornando sagrado e o amor lhe dava autonomia para fazer o que quisesse. Colocou também o queijo, a geleia, o leite e o requeijão. A mesa estava posta. Chamou-o. Sentaram-se um na frente do outro. Era um dia lindo. Olhou para ele e sorriu. O sol ainda raiava nas frestas da janela.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Inspiração




 A palavra fala.
 O sopro acontece.
 O coração não se contêm.
 O interior é cercado de detalhe.
 Tem azul, tem amarelo, tem vermelho.
 O  sol nasce em cima da cabeça e o pássaro voa perto de mim.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Descoberta











Como ser tua, sendo eu tão pequeno?
A grande descoberta do que sou mistifica o oposto.
A história se repete e os dias passam.
A forma taciturna é o gosto pelo escondido.
Mas, como deixar a primazia da alegria?
Só aqueles que se olham, demoradamente, é capaz de entender.
Aos que querem saber, uma dica: a essência revela.
Há aqueles que buscam com frequência o sentido
Por que nada disso serve?
Diante das coisas criadas, o homem sente o caos.
Não se atreve a duvidar, mas não pensa em  mais nada.
Chegou a hora de sonhar.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Missão pessoal













Reza.
Dor e grito.
O tempo não acaba.
As palavras vão e vem.
Fantasmas fugazes.
Ruminações persistentes.
Interesses constantes.
Sonhos acordados.
O pensamento não para.
O que fazer, então?
Elogios e realizações.

A imposição é taciturna.
Ela me escolhe.
E se eu não quiser?
Mas eu sou ela.
Medita.
É noite.


sábado, 24 de agosto de 2013

Não posso parar


Não posso parar!
As imperfeições inclinam-me a isso.
Não posso parar!
O esforço de hoje sera a recompensa de amanhã.
Não posso parar!
Por mais que me sinta fraca.
Não posso parar!
Meus sonhos são reais.
Não posso parar!
A raiz dessa ansiedade é irreal, ilusoria!
Não posso parar!
O que me guia hoje é a memoria, o inicio de tudo.
Não posso parar! 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Fazendo memoria

      
Era tudo tão...
                 radiante, vibrante,
                                       belo, alegre,
                                      cheio, eterno,
                                    vivo, incomparável,
                                       imutável, simples,                              
                                           certo, óbvio,
                                         claro, urgente,
                                       verdadeiro, doce,
                                        firme, presencial.


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Amor...





“É assim que te quero, amor,assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes e como arranjasos cabelos e como a tua boca sorri,
ágil como a água da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amado.
Chegastes à minha vida com o que trazias,eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,e os que amanhã quiserem ouvir o que não lhes direi, 
que o leiam aqui e retrocedam hoje porque é cedo para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas uma folha da árvore do nosso amor, 
uma folha que há-de cair sobre a terra 
como se a tivessem produzido dos nosso lábios, 
como um beijo caído das nossas alturas invencíveis 
para mostrar o fogo e a ternura de um amor verdadeiro.”
Pablo Neruda

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Limitações


Como é difícil para o ser humano lidar com suas próprias limitações. Tenho para mim que ter paciência com o outro é mais fácil do que ter paciência com você mesmo. Amar, respeitar, compreender, acolher são verbos que precisam estar dentro de mim bem antes de tornar ação para o outro. A perfeição, o querer acertar sempre, está tão presente, que, ao me deparar com minhas imperfeições, defeitos, vejo como é necessário um “eterno recomeçar”.

É preciso ter uma liberdade interior de aceitar as limitações e não ir de encontro com elas, mas ao encontro delas, com amor que tudo supera e espera. Santa Terezinha, em sua sabedoria, dizia que amava sua pequenez e pobreza, na esperança cega da misericórdia divina.

Esses dias vi um passarinho que só conseguia dar pequenos vôos em cima de um galho. Por mais que ele tentasse inúmeras vezes voar mais alto, só ia até uma certa altura. Ao olhá-lo, percebi que ele estava se esforçando ao máximo, mas ainda não conseguia chegar a altura desejada.

Muitas vezes, aos olhos humanos, ainda voamos baixo, mas esquecemos de ver o quanto já voamos em comparação ao início. Alegrar-se com os pequenos vôos alcançados, é um exercício diário que requer paciência e determinação.

Santa Teresinha, rogai por nós!!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Crepúsculo


Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é da cor das venezianas.
Azul!... E que lindo céu!

Não sei a cor que há em mim.
A mistura de tons me ofuscam os olhos.
Sempre em busca de novos horizontes!

O inverno com sua cor cinza.
O vento incessante, inquieto.
O desejo de ver outra estação!

Sonetos, poemas que se entrelaçam.
Vou colorindo as horas do cotidiano.
E Chove!

Me transmudo, rio, estremeço.
O crepúsculo denuncia a noite.
Chegadas e partidas!

Psiu!
Silêncio!
Hora de dormir...!

domingo, 31 de julho de 2011

Música


Expressão jubilosa, latente, saliente;

Melodia inócua, sentida, banida de qualquer partida;

Verso falado, cantado, alado dentro da alma;

Vibração rítmica, que perpassa veias inatingíveis;

Prazer, descanço, oásis em meio as adversidades;

Letra incisiva, matéria real do coração;

Arte, parte de mim...!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

És tu...!


Procurei o amor
Me perdi, sem encontrar
No deserto da noite
Não ouvia seus passos

Onde estás, amado de minh´alma?
Onde estás? Feristes me coração!

Ao andar sozinha
Me feri em espinhos
Preciso voltar
Recomeçar o caminho

Quem é este, que anda ao meu lado?
Quem é este? Que aquece meu coração!

És tu...!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Páscoa...e vida!!



“Quem ama apressa o passo”. Era o que tinha escrito na parte de trás da folhinha da missa de Domingo da Páscoa.
Certamente, Maria Madalena não esperou o dia raiar para verificar o túmulo do seu Mestre. A escuridão do tempo era bem menor do que o clarão que havia em seu interior e os sintomas de ansiedade que tomavam conta de seu coração apaixonado, a fizera apressar o passo.
A morte não era o fim. Mas a esperança de uma nova vida, fundamentada no amor. A Escritura diz que Maria “saiu correndo”, “inclinou-se para olhar dentro do túmulo” e não hesitou em ir ao encontro do Amado.
Lembro da primeira experiência com Cristo ressuscitado de uma menina de 18 anos, num acampamento de jovens há dez anos atrás, em Janeiro de 2001. Ela foi alvo de um feixe de luz radiante onde deixou-se ser tocada pelo sangue e água do Coração aberto de Jesus e olhada em meio a uma multidão, no momento do passeio com o Santíssimo Sacramento.
Ao olhar profundamente para a eucaristia, seus olhos puderam sentir o amor incondicional que tomou conta de todo seu ser. Uma paz inundou-a e desde aquele dia, como Maria Madalena, ela anseia ardentemente pelo Deus vivo.
Quando se é tocada pelo amor de Deus, há uma “fusão de corações”, como diz Santa Terezinha, e, a sede de amor que existe em ambas as partes, é saciada. Sua intervenção em qualquer etapa da vida, faz com que se mude de atitudes, comportamentos, os sentimentos se elevam, e, aos poucos ela se “torna semelhante aquilo que contempla”, dando um novo sentido em sua vida.
Maria Madalena foi a primeira a ver Cristo Ressuscitado, porque, “quem ama apressa o passo.”
Waleska Bezerra

quarta-feira, 20 de abril de 2011

sítio


O sol anunciava a chegada de um novo dia.
Sem demora, os primeiros raios entravam pelas frestas da janela de madeira.
As telhas que cobriam o quarto escuro e que outrora favoreciam o sono, agora eram tidas como aliadas ao sol invasor.
Era hora de acordar, mas sem aquela preocupação de ter que olhar o relógio, por ter algum compromisso importante logo pela manhã.
Estava de férias. Tinha acabado as aulas, provas, escola e todas essas obrigações de estudante.
Podia me espreguiçar, rolar na cama, fingir que não o tinha visto chegar assim tão rápido, sem avisar.
O cheiro da chuva matinal, os cocoricós das galinhas e os piados dos pássaros denunciavam que eu estava no sítio do meus avós.
Aos poucos, sem pressa, levantava, abria a janela para sentir o frescor da manhã e ia para a cozinha tomar café.
A água do pote de barro no canto da parede, o coador de pano e o pão sovado em cima da mesa, eram símbolos de que ali morava gente simples, que gostava dos sabores da terra.
Mais tarde, a sacralização do cotidiano ia se misturando com as brincadeiras de criança, e subir no pé de sirigüela se juntava com a alegria de tentar alcançar o céu.
O sabor de comer a fruta retirada com as próprias mãos dava-me o “poder” de tê-la quando quisesse, e lembro-me que ficava perguntando como a terra poderia dar algo tão gostoso.
O almoço, era geralmente galinha caipira e depois ia brincar de esconde-esconde ou de sinuca.
A destreza sempre fora minha companheira e conseguia correr pela casa inteira sem derrubar nenhum enfeite ou móvel da sala de estar.
Á tarde, entrava no gabinete e escolhia alguns livros para folhear, principalmente os que tinham figuras.
Á noite, no sofá da sala, assistia o “jornal do 10” com meus avós e depois ia sonolenta para cama.
Meu ser criança me dava a oportunidade de ir dormir sem a preocupação do amanhã...!